O currículo em tempos de mudança

O currículo, enquanto fundação da educação formal, está sempre envolvido nas tensões a respeito de que projeto de sociedade se quer construir. Currículo é um projeto de futuro. Que futuro esperar em tempos de intensa transformação? Algumas notas e reflexões sobre o currículo em tempos de mudança…

 

Desafios da Educação a Distância na pandemia da COVID-19

De uma forma simples, podemos dizer que a Educação a Distância (EaD) é uma forma de se fazer Educação que ocorre com os participantes distantes geograficamente e que utiliza as tecnologias como meio. Ela é uma modalidade de Ensino, não uma forma “aligeirada” de se fazer educação. EaD também não significa dar aulas pelo YouTube. Vale refletir sobre a EaD nesse tempo de pandemia de COVID-19 como uma alternativa que está em processo de construção – e até de descoberta por muitas instituições e professores.

Assim como o trabalho remoto implementado durante a pandemia da COVID-19 tem uma dinâmica diferente do trabalho remoto escolhido, planejado e organizado com antecedência, a implementação da Educação a Distância neste momento se diferencia dos processos tradicionais de construção de cursos nesta modalidade. É importante contextualizar a utilização dessa modalidade com o momento histórico que vivemos para que possamos entender os desafios e oportunidades que surgem junto com a situação da pandemia que enfrentamos atualmente enquanto sociedade.
Primeiro, é importante dizer que as tecnologias – especialmente as digitais – utilizadas para dar continuidade a atividades que antes estavam sendo realizadas presencialmente não transformam um curso/disciplina automaticamente em EaD. É preciso planejamento e organização para que o currículo seja transposto com qualidade para ser executado nessa modalidade. Sendo assim, vou destacar alguns pontos que considero importantes para iniciar uma reflexão sobre a adoção da Educação a Distância como alternativa:

  • Aspectos curriculares: O quê ensinar? Para quê? Para quem? Como? Partindo das escolhas com relação aos conteúdos, dos objetivos pedagógicos, do conhecimento a respeito dos alunos e de seus contextos de estudo é que se pode pensar nas escolhas das tecnologias e recursos necessários para apoiar o processo de ensino-aprendizagem. O pensar sobre a EaD deve caminhar da Educação para as mídias (e não o contrário). Se eu, enquanto professora, escolher os recursos tecnológicos que vou utilizar antes de pensar nas respostas para as perguntas “O quê? Para quê? Para quem?” vou ter dificuldade em atingir meus objetivos educativos. Esse plano de transposição curricular, vamos dizer assim, deve gerar um mapa das disciplinas/áreas de estudos que relacionem as respostas para essas questões e que possibilite traçar uma rota para o ‘como fazer’.
  • Aspectos administrativos: É interessante que as Instituições de Ensino tenham clareza dos recursos que possuem em mãos para orientar os professores na utilização de diferentes estratégias, indicar formas de realizar trabalhos e avaliações a distância, registrar informações relevantes de maneira confiável, entre outros. Qual a infraestrutura existente na instituição? Quais ferramentas possuem em mãos? Existe uma equipe técnica que pode apoiar com o uso dessas ferramentas? Quais capacitações podem ser oferecidas para o grupo de docentes para que possam se apropriar de conceitos básicos da EaD e ferramentas? Na falta de recursos, que estratégias simples podem ser utilizadas para realizar atividades a distância com qualidade? Quais estratégias podem ser utilizadas para acompanhar e apoiar as ações educativas dos professores? Qual o perfil do corpo docente da minha instituição? Algumas linhas norteadoras devem ser definidas pela instituição para que os professores não fiquem perdidos sem saber como apoiar os alunos e pesquisando tecnologias e ferramentas aleatoriamente sem saber por onde começar.
  • Aspectos tecnológicos: Como disse, a escolha da tecnologia depende dos objetivos pedagógicos. Perguntas que o professor ou a Instituição de Ensino podem fazer: O que é esperado que os alunos aprendam ao final da ação educativa? Um conceito, uma determinada prática, uma habilidade técnica? Quais estratégias podem ser utilizadas para alcançar esse objetivo? Quais tecnologias viabilizam essa ação educativa? Por exemplo, se meu conteúdo é teórico e tem como objetivo que o aluno compreenda um determinado conceito posso: gravar uma videoaula com ou sem apoio de uma apresentação, escrever um texto para compartilhar com os alunos, disponibilizar um artigo de outro autor que aborde o tema, criar uma atividade dirigida de pesquisa para que o aluno levante fontes sobre o assunto. Ainda posso desenhar uma avaliação que esteja vinculada a esse objetivo, como: elaborar uma síntese do que foi coletado na pesquisa, fazer uma resenha do artigo, montar um mapa conceitual dos assuntos tratados na videoaula, gravar um áudio para elaborar uma argumentação e assim por diante. Diante da vastidão de metodologias de ensino-aprendizagem, posso fazer escolhas com relação às melhores tecnologias (ou viáveis) para realizar a minha ação educativa de uma forma coerente.

Esses aspectos ajudam a pensar a EaD de uma forma mais global, não se restringindo ao uso específico de uma ou outra tecnologia. Observe que todos os aspectos estão interligados.
A maior crítica hoje à EaD enquanto modalidade é a “frieza” do contato e do relacionamento entre os participantes, que se realiza por meio da mediação das tecnologias. A falta do “olho no olho”… (especialmente em tempos de COVID-19!). Existem formas de fazer com que os participantes se “encontrem”, mesmo que à distância. Ferramentas de webconferência, fórum, chat, podem viabilizar o contato e, neste momento de pandemia de COVID-19, é fundamental que esses momentos existam. A interação permite gerar não somente o sentimento de pertencimento, como possibilita com que o meu conhecimento se transforme e amplie a partir do contato e da troca com o outro. Eu diria que o desenvolvimento dessa capacidade – de partilha, diálogo, transformação – é essencial nos dias de hoje (e no mundo em que desejamos viver).

Em minha visão, um curso EaD sem interação é simplesmente uma sequência organizada de conteúdos. Apesar de ter o seu valor, não é o maior valor que a educação pode prover: o conhecimento se constrói com base em estudo, mas se consolida, enriquece e se transforma a partir da comunicação e do diálogo com o outro.

Inovar não quer dizer “romper com o passado” – vamos falar de metodologia de ensino

Sabemos que atualizar as tecnologias utilizadas em sala de aula não é exatamente aplicar uma inovação pedagógica. Neste outro post provoquei uma reflexão sobre isso. Inovar não quer dizer, necessariamente, romper com o passado. Muito se teoriza sobre currículo e metodologias de ensino, mas a verdade é que por conta de muitos fatores falta vínculo entre o que se discute sobre educação e o que se vive nos sistemas escolares (sem entrar no mérito “vontade política”, mas sabendo que uma boa parte da questão tem a ver com isso…). Continuar lendo Inovar não quer dizer “romper com o passado” – vamos falar de metodologia de ensino

A (não) inovação escolar através das novas tecnologias

Eu sempre fui uma má aluna. Fazia parte daquele grupo que sobrevivia da recuperação bimestral. A culpa era minha companheira diária. Se me dissessem naquela época que eu me encaminharia para trabalhar com educação eu jamais acreditaria que teria “competência” para isso.  Continuar lendo A (não) inovação escolar através das novas tecnologias

Inovação tecnológica x inovação pedagógica

Sabemos enumerar quais são os tantos problemas da escola. Difícil é imaginar uma escola que não seja “essa escola”. Um método de ensino que não coloque pessoas em caixas. Um processo de ensino-aprendizagem que respeite as particularidades de cada um (seus contextos, culturas, interesses). Uma educação que ajude a transformar. Que seja crítica, problematizadora.

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Como criar referências e fazer citações (“colinha” para o autor)

Um bom conteúdo é bem fundamentado. Para isso é importante citar todos os autores sob os quais as argumentações foram construídas e embasadas. Neste post aproveito para compartilhar um pequeno guia que criei para mim para montar referências e citações. Utilizo para consultar rapidamente no caso de alguma dúvida com relação à ABNT (padrão que geralmente usamos para formatar textos didáticos ou científicos).

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