Aluno no centro metodologia ativa

Inovar não quer dizer “romper com o passado” – vamos falar de metodologia de ensino

Sabemos que atualizar as tecnologias utilizadas em sala de aula não é exatamente aplicar uma inovação pedagógica. Neste outro post provoquei uma reflexão sobre isso. Inovar não quer dizer, necessariamente, romper com o passado. Muito se teoriza sobre currículo e metodologias de ensino, mas a verdade é que por conta de muitos fatores falta vínculo entre o que se discute sobre educação e o que se vive nos sistemas escolares (sem entrar no mérito “vontade política”, mas sabendo que uma boa parte da questão tem a ver com isso…).

Em tempos de desenvolvimento exponencial das tecnologias, o mundo online e offline estão se tornando cada vez mais uma coisa só. Sabemos que o acesso à informação saiu das mãos dos professores e bibliotecas físicas para “qualquer tempo, em qualquer lugar”. A aprendizagem ubíqua, termo cunhado pela autora Lucia Santaella,  é resultado da onipresença tecnológica da computação móvel e da invisibilidade proporcionada pela computação pervasiva. Podemos dizer que, na prática, temos acesso à informação que queremos em qualquer momento e lugar e nem nos damos conta do quanto isso impacta na nossa forma de interagir com o mundo. Estamos vivenciando novas formas de aprender.

Uma visão de futuro

A visão que tenho sobre os sistemas escolares e as universidades no futuro (talvez seja mais um desejo que uma predição) é a edificação desses espaços como pontos de encontro. Não vamos nos deslocar para ter acesso à informação, porque não é necessário (isso é um fato).

Para o quê precisamos nos atentar, então?

Em trabalharmos com mais profundidade o elemento “Comunicação” que está presente nas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). E comunicação tem a ver com colocar nossos “mundos internos” em contato; é a ponte para que possamos nos encontrar.

O encontro que possibilita a troca de ideias, a construção de projetos, o fortalecimento da argumentação, o aprofundamento da reflexão.

A linguagem é o código humano que permite a conexão e o compartilhamento de conceitos, vivências, experiências. Imagino os espaços das escolas e universidades como pontos de encontro que possibilitem partir dos saberes e vivências pessoais, coletivos, acumulados e compartilhados, com o objetivo de construir soluções para problemas reais. Na interação uns com os outros e na comunicação aprendemos e evoluímos.

Falar não é somente se servir de uma língua, mas pôr um mundo em comum, fazê-lo lugar de encontro. A linguagem é a instância em que emergem mundo e homem ao mesmo tempo. E aprender a falar é aprender a dizer o mundo, a dizê-lo com os outros, a partir da experiência de habitantes da terra, uma experiência acumulada através dos séculos (Martín-Barbero, 2014).

O diálogo e a comunicação que possibilitarão estarmos juntos em prol de um futuro que queremos ver no mundo. A mim parece o elemento que mais carece de atenção hoje… Vejo que é papel da educação trabalhar fortemente o diálogo e a comunicação para que possamos aprender, crescer, evoluir com o auxílio do outro, por meio da comunicação. Preciso do outro para me (re)conhecer, assim crescemos juntos.

Há tantas e tantas pessoas discutindo e debatendo sobre educação, o fato é que não existem soluções fáceis para problemas complexos. Vamos, então, ao que podemos fazer e que está em nossas mãos…

Uma metodologia ativa de ensino (dentre tantas outras)

Diversas são as metodologias de ensino possíveis e nenhuma é “matadora” (fico um pouco aflita com esses termos). O educador lança mão das metodologias mais adequadas a cada objetivo e nenhuma exclui a outra. Como falei no áudio do post anterior, inclusive a aula expositiva pode ter um grande impacto educacional. Entretanto quero chamar a atenção aqui para metodologias que foquem na participação ativa do educando. Recomendo a leitura do livro, para quem ainda não conhece, “Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem“. Este livro é escrito por professores para professores.

É um desses livros que dá vontade de ler de uma vez só. A linguagem é direta, simples, flui com naturalidade. Conta a história de dois professores que começaram a gravar suas aulas para disponibilizar aos alunos que não podiam comparecer por algum motivo (nos EUA há uma forte cultura esportiva nas escolas e muitas vezes essas atividades impactam no acompanhamento das aulas). Em determinado momento, quando observaram a grande aderência dos alunos ao assistir as aulas gravadas, se deram conta que poderiam utilizar a tecnologia de gravação de vídeos para disponibilizar o conteúdo antes das aulas para os alunos assistirem em casa. Na aula os professores poderiam, então, atender de forma personalizada às dúvidas e dificuldades de entendimento de cada aluno (no lugar de expor o conteúdo).

Dessa forma ocorre uma “inversão” da sala de aula como a conhecemos. O aluno não mais vai à escola para “receber o conteúdo”, mas para tirar dúvidas e construir significados.

A grande questão aqui não é necessariamente o uso da tecnologia para gravar as aulas e disponibilizá-la online, mas o fato de utilizá-la como apoio para gerar uma inovação pedagógica. Ao inverter a dinâmica de ensino-aprendizagem, o aluno se torna responsável pelo seu aprendizado, dentro do seu ritmo; e o professor pode atuar de forma mais pessoal, com uma interação mais rica com o educando.

As TDIC, nessa metodologia, são utilizadas para atender a uma concepção pedagógica que coloca o aluno como centro (o que deveria ocorrer sempre, independente da metodologia). É nesse sentido que entendo a concepção pedagógica guiando o uso das TDIC na educação.

E na sociedade da cultura digital, entender como utilizar as TDIC em prol da educação e da construção do futuro que almejamos é, cada vez mais, urgente.

 

2 comentários sobre “Inovar não quer dizer “romper com o passado” – vamos falar de metodologia de ensino”

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